Entrevista exclusiva com a banda Morcrof
de on setembro 30, 2017 dentro Entrevistas
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Conversar com pessoas inteligentes, é outro nível, aqui você confere um ótimo bate papo com PAULLUS MOURA da banda de Dark Metal MORCROF, além de curiosidades, histórias da banda e os próximos passos do grupo.

1) Vamos voltar no tempo… Dezembro de 1992, de onde e como surgiu a ideia de formar o Morcrof, suas influências e expectativas naquela época?

PAULLUS MOURA: Num momento anterior, nos idos de 90, tocava com o Caecus Magice em um projeto que não chegou a vingar. Tempos depois nos encontramos casualmente, quando soube do intuito dele em voltar a tocar. Paulatinamente fomos formatando a banda, ele ja havia cogitado o nome “Morcrof” nessa altura e explorávamos as influencias que tínhamos – sobretudo do Death Metal dos anos 90. As letras nasciam de nossas conversas e experiências pessoais que acabaram desembocando no existencialismo humano. Na verdade não tínhamos muitas expectativas ou qualquer pretensão de nos tornarmos uma banda conhecida ou que durasse tanto tempo; queríamos somente canalizar nossas neuroses existenciais através da música extrema.

2) É visível a influência da escola grega de música pesada, mas, tem uma verve erudita bem latente, como é trabalhar com esses extremos?
PAULLUS MOURA: Diria que é natural. As composições são como retrato de cada formação de sua época e dos membros que passaram pela banda e que dispensou seus esforços e criatividades. Ideias sempre foram bem vindas e procurávamos aproveitá-las da melhor forma possível; no fundo, acho que o erudito dialoga bem com o Metal.

3) Claro que com o passar dos anos a banda sofreu mudanças consideráveis na formação, essa troca de integrantes e a bagagem trazida de cada novo membro moldou um pouco essa face atual do Morcrof. Quais foram as mudanças na sonoridade que mais contribuíram para consolidar o estilo da banda?
PAULLUS MOURA: acho que nosso som reflete um pouco de tudo que escutamos… no início tinhamos um abismo entre as influencias polarizadas entre o Death Metal e o Progressivo e não sabíamos trabalhar muito bem com isso, mas foi uma fase que, mesmo assim, gosto bastante e nos rendeu a reh 1994 A Future Not So Far. Adiante, tivemos as primeiras baixas e novos integrantes vieram com liberdade para trabalhar no contexto da banda explorando seus sentidos e influencias. A temática passou a ser mais obscurecida e as composições teriam que representar aquilo que era versado. Com a entrada do Beah e do Pétros Nilo, somamos novos elementos na execução das músicas, o Doom Metal entrou de forma evidente e ao mesmo tempo o Heavy tradicional, o Death e o Progressivo foram amalgamando o instrumental somado com Metal Grego e escandinavo dos anos 90.

4) Existe um pouco de filosofia, ocultismo, misticismo, mitologia e existencialismo em suas músicas, existe algum escritor e/ou escritores que os inspira, filmes ou algo do tipo para as letras?
PAULLUS MOURA: De modo amplo, somos uma banda formada por ateus e céticos, gnósticos e agnósticos, e a premissa parte das dúvidas e as contradições que são conversadas casualmente em nossas horas livres. São experiências transmitidas oralmente, são citações de alguns autores que temos contato e que acaba teorizado nos
diálogos. Isso é fundamental para escrever as letras… o escopo dos livros, filmes e autores são diversos em diversas áreas, sejam acadêmicos ou não, e gera interpretações que deságua nas composições. Embora não seja uma regra, de modo geral eu escrevo as letras e isso, de certo modo, oferece algo de meu subjetivo que são compartilhados com todos. Alguns de nós são mais ativos nisso, outros são bem pontuais e se preocupam mais com a interpretação musical, enfim, é uma junção de coisas. A existência e sua razão de ser nos inspira, tudo mais pode servir como ferramenta inspiratória…

5) Ser uma banda Underground sempre tem seus altos e baixos. Quais foram os maiores perrengues sofridos até agora, e quais foram suas maiores conquistas?
PAULLUS MOURA: A constante troca na formação sempre foi um estigma negativo pra nós que rompia nossas expectativas, assim a cada demo que lançamos e show que fazíamos nos deixavam em júbilo por representar mais uma superação… Abrir para o Rotting Christ em 2006 e para o Varathron em 2015, sem dúvidas, marcou um ápice pra banda.

6) Muitas bandas se desmantelam com pouco tempo de estrada. O que considera que ainda deixe essa chama viva acesa até hoje na banda?
PAULLUS MOURA: Amor pelo Metal, teimosia, crise existenciais agudas, amizade… Acho que estas são as fórmulas que nos mantiveram ativos durante esses 25 anos…

7) Creio que um dos feitos de maior orgulho do Morcrof foi tocar com a lendária banda grega Varathron em 2015, que rolou numa gravação ao vivo chamada “Live at the Brazilian Swamp”. Como foi tocar com esses caras e como foi a receptividade da sua música para os gregos?
PAULLUS MOURA: Eles também estavam bastante ansiosos, felizes e satisfeitos com a oportunidade de tocarem pela primeira vez no Brasil, aliás, se não estiver enganado, o show que fizeram foi seu sexto ou sétimo da carreira, algo assim… Todos viveram intensamente nosso cotidiano. Levamos eles pra conhecer alguns lugares como o Instituto
Butantã, avenida Paulista, caminharam no centro velho de São Paulo, Galeria do Rock, Terraço Itália, bairro da Liberdade, andaram de metrô em horário de rush… ensaiaram um dia antes do show, comeram e beberam de tudo que foi-lhes oferecido sem frescuras… infelizmente, por falta de tempo, não conseguimos levá-los no Arena Corinthians que o Stefan queria tanto conhecer. Eles sugeriram também fazer o Meet & Greet na Fofinho Rock Bar às vésperas do show para poder ter contato próximo com a cena local, atenderam à todos, conversaram, tiraram fotos, enfim, estavam muito receptivos e animados. Na noite do show, todos eles assistiram as bandas de abertura do mezanino, elogiaram o público, as bandas, o local e o equipamento… Prestigiaram 666% a estadia por aqui intensamente!

8) Parece que o Brasil está se tornando rota de várias bandas estrangeiras, até mesmo descentralizando o eixo Sul/Sudeste, onde o Norte, Nordeste e o Centro-Oeste estão começando a aparecer muito bem no mapa de algumas turnês e apresentações únicas de algumas bandas. Vocês acham que esse “intercâmbio” tem ajudado a divulgar nossas bandas, principalmente como bandas de abertura, ou ainda existe aquela velha “panela” que restringe um grupo seleto, deixando bandas com um bom potencial apenas no ostracismo de algumas micro-regiões?
PAULLUS MOURA: Isso é muito por conta de quem está produzindo o festival. No caso da Storm Productions, sei que as bandas são escolhidas seguindo determinados critérios, dentre eles, bandas que tenham certa proximidade com a headline, que tenham uma história dentro do underground nacional, que tenham o respeito do público e, a grosso modo, elas não se repetem em festivais subsequentes. É uma filosofia que também oferece as bandas de outras regiões do Brasil apresentarem-se no Sudeste. Quanto a paulatina descentralização dos festivais no eixo Sul-Sudeste, tem meu total apoio! O Brasil é imenso e as cenas regionais e locais tem uma força incrível que merecem ser prestigiados com grandes eventos!

9) O que acham necessário hoje em dia para que a divulgação seja mais abrangente, e que de certa forma realmente atinja o público certo?
PAULLUS MOURA: Hoje em dia tem uma infinidades de ferramentas que se pode utilizar: redes sociais, Instagram, SoundCoud, BandCamp, MySpace, YouTube e por aí vai… O que é necessário é saber articular tudo a contento.

10) Qual conselho dariam para as bandas que estão iniciando, para que pelo ao menos tenham essa longevidade do Morcrof?
PAULLUS MOURA: Não sei bem o que dizer, acho que isso parte de dentro, da vontade de tocar, de compor, de expôr-se, de encarar as críticas, as adulações… é manter os pés no chão e fazer a música com alma, creio que é isso que eu diria!

11) Ouvi dizer que estão preparando lançamentos e relançamentos de materiais. Pode nos falar um pouco desses trabalhos e quando estarão disponíveis aos fãs?
PAULLUS MOURA: Pois é… enquanto concluímos o novo álbum, intitulado .:.CODEX.GNOSIS.APOKRYPHU.:. arcano.verba.revelatio.:., estamos relançando antigos materiais que muitos irmãos nos pediam e que não tínhamos em mãos. Originalmente não era uma ideia bem aceita, não queríamos relançar nada antigo, mas com o tempo essa ideia foi tomando espaço e resolvemos pô-la em prática, assim, brevemente teremos todas as demos em CD + encarte, no mesmo padrão que foi lançado o single e os lives. Há também uma proposta de relançamento em vinil do APEIRON (Trinitas Primitiae Opus) e do MACHSHEVET HABRIÁ (Myths And Conjectures Of creation) para aqueles, assim como eu, gostam de colecionar o material físico.

12) Após esses lançamentos, quais serão os próximos passos, shows, divulgação, turnê…?
PAULLUS MOURA: Queremos passar um tempo tocando, quem sabe não conseguimos fechar uma turnê no próximo ano…

13) O quê tem rolado no player da galera do Morcrof, quais as bandas atuais que estão ouvindo ultimamente?
PAULLUS MOURA: Escutamos muitas coisas do núcleo Heavy, Doom, Stoner, Death, Black Metal e à margem ainda escutamos Erudito, Folk Music, Progressivo, alguma coisa de Jazz… Neste momento, para responder a entrevista, coloquei THERION Deggial…

14) Obrigado pelo bate papo, desejo sucesso e vida longa à vocês. Deixem suas considerações finais e um recado para os nossos leitores.
PAULLUS MOURA: Agradecemos imensamente o apoio que a Rumours Mag nos oferece e aos irmãos que dispensaram um pouco do tempo para ler esta entrevista! Foi um prazer responder suas questões, falar um pouco mais das atividades e novidades da Morcrof… Nos vemos por aí!

Pra conhecer mais do trabalho dos caras, veja a resenha que a rUmOrS mAg fez do último trabalho dos caras:

MORCROF: “Live at the Brazilian Swamp”

Para mais informações acessem:

https://www.facebook.com/morcrofdarkmetal/

Contato:

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